Coluna do Parapente
VARIO X GPS
Estão começando a surgir no mercado novas integrações do GPS ao Vario, além daquela já feita no Top Navigator da Aircotec, que junta todas as informações em um único instrumento, e está todo mundo falando no assunto sem, na maioria dos casos, uma perfeita compreensão do funcionamento das coisas. Por esse motivo, vamos aproveitar a coluna para tentar esclarecer algumas dessas dúvidas em termos bem elementares, nos baseando, especificamente, nos aparelhos Garmin (38, 40 e 45).
Heading: é a direção para qual
se está apontado, medida em graus, de 0 a 360, a partir do Norte
no sentido horário, podendo ser magnética, se medida a partir
do Norte magnético(indicada pela bússola) , ou
verdadeira(true), quando medida a partir do Norte verdadeiro(que
está no Polo Norte geográfico, um dos extremos do eixo de
rotação da Terra). Lembremo-nos que o Polo Magnético não
coincide com o Polo Geográfico e que as cartas são orientadas
para o Polo Geográfico.
A direção 000 corresponde ao Norte, a 090 ao Leste, a 180, ao
Sul e a 270, ao Oeste. Seja ela magnética ou verdadeira.
Na utilização do GPS para Vôo-Livre, entendemos ser melhor
selecionar o heading para true, porquanto ficará mais fácil a
orientação na carta, uma vez que os meridianos(linhas
verticais) indicam o Norte verdadeiro(ou seja, o Norte é para
cima).
Track: é a projeção da trajetória de vôo no solo. O track poderá ou não coincidir com o heading, ou seja, se houver um vento lateral, poderemos estar voando apontados para uma direção e estarmos nos deslocando em outra. Diz-se, neste caso, que está havendo uma deriva(drift). Normalmente, como se quer voar um track, havendo vento, há que se introduzir uma correção de deriva na direção do vento para se chegar "carangueijando" onde se quer.
Ground Speed(Vs,velocidade no solo): é a Va(velocidade no ar) influenciada pelo vento. No caso do Vôo-Livre, a Va, desde que se use o GPS, não tem maior finalidade, uma vez que o instrumento nos vai fornecer direto a Vs, bem como, o que é mais importante, o L/D em relação à Vs(desde que se tenha a integração com o Vario), que é, em termos práticos, o que se quer.
Até o advento dos recursos mais modernos de tecnologia aeronáutica, o problema da navegação era o estabelecimento das seis variáveis que o conformam, das quais, as três primeiras, normalmente, são conhecidas:
- heading (em português, usa-se proa)
- track (em português, usa-se rota)
- Va (velocidade no ar)
- Vv (velocidade do vento)
- Vd (direção do vento)
- Vs (velocidade no solo)
Os métodos usados nos primórdios da aviação para o cálculo das incógnitas do vento (Vv e Vd) e Vs foram os mais pitorescos e rudimentares. No livro "Azas ao Vento" de Newton Braga, navegador do avião Savoia Marchetti Jahú, que veio da Itália para o Brasil em 1926, ele nos fala da qualidade das "bombas de fumaça" italianas que eram lançadas ao mar para o cálculo do vento.
Posteriormente
foram desenvolvidos os derivômetros que permitiam ao navegador
fazer esses cálculos observando, através de dispositivos
óticos/giroscópicos, o deslocamento do avião em relação ao
solo.
Não tardou que surgissem os Sistemas Hiperbólicos(dos quais o
Omega e o LORAN são exemplos atuais) que começaram, realmente,
a tornar as coisas mais fáceis.
Em paralelo, a Navegação Astronômica, continuava
complementando as observações e cálculos feitos por esses
métodos.
Já em época mais recente, o Radar Doppler e o Equipamento
Inercial, à custos enormes, passaram a fornecer aos sistemas
integrados de navegação todos os dados perfeitamente definidos.
Hoje, a um custo ínfimo(um GPS Garmin 38 está custando menos de U$200), o problema da navegação deixou de existir. É quase inacreditável que na década de 60 um equipamento inercial era tão pesado que nem os aviões militares de bombardeio estratégico conseguissem carregá-lo e que, na recente Guerra do Golfo, cada soldado americano levasse um GPS no bolso para não se perder no deserto.
Mas, no nosso caso, para que serve a integração do Vario com o GPS? Muito simples, serve muito pouco para navegar no sentido de se localizar, uma vez que esse problema não é freqüente(salvo para a marcação correta do pouso), mas auxilia demais para o piloto saber se chega em um determinado ponto usando as diversas opções de planeio, isto porque, ao combinar a Vs(velocidade no solo) com a razão de descida(taxa de queda, para os "franceses"), o sistema fornece ao piloto o L/D instantâneo em relação ao solo e, portanto, o alcance de planeio, o tempo estimado de vôo para qualquer "waypoint" programado, o vento em velocidade e direção, a correção de deriva e por aí vai.
Com respeito à utilização do Garmin, vejamos alguns ajustes que merecem explicação:
NAVIGATION SETUP
Map datum- diz respeito ao referencial usado na carta em que se está navegando(a explicação é coisa para geógrafos). Só haverá influência quando se for calcular uma navegação diretamente na carta(calculando direções de vôo, aplicando declinação magnética, etc). Normalmente as cartas que usamos são referenciadas à Córrego Alegre.
Units- permite se ter as informações no sistema métrico, em milhas náuticas(1852m) ou em milhas terrestres(statute: 1600m). Obviamente, devemos usar metric.
Heading- conforme já sugerido e explicado, usar true.
TRACK LOG SETUP
Record track- diz respeito a ficar gravado o track voado.
MAP SETUP
Orientation- Permite se colocar como orientação na parte superior da tela o Norte, o track desejado ou o track que se está voando. Sugerimos usar track up.
É isso aí gente. Para uma melhor compreensão de algumas das explicações feitas neste artigo, dê uma lida na Seção de Boletins Informativos do MAPIL. Lá você encontrará um boletim específico sobre o uso de cartas de navegação e definição de conceitos básicos sobre o assunto.