Termal

Mesmo em atmosfera instável, faz-se necessária alguma emulsão do ar para desprender uma térmica do chão. Isso é fácil de ver em Valadares. É só ficar deitado na beira da estrada aguardando o resgate. A cada caminhão que passa, forma-se um turbilhonamento e, mais ou menos, a cada n caminhões, o turbilhonamento continua ininterrupto indicando que uma bolha térmica descolou do chão.

No mundial de asa em 91, eu ouvia papos do tipo "a Kombi que acompanhava os gringos quando eles estavam merrecando ficava correndo de um lado para o outro tentando desprender umazinha para o cara da equipe sair do chão" e não acreditava. Mas é verdade. Planador usa muito esse recurso.
Quando a coisa está ruim, o piloto mergulha e passa rasante sobre uma fonte de térmica tentando soltar uma. Com a energia ele recupera e tenta pegar a dita cuja na subida. Pelo menos em teoria, já li.

O que acontece a sotavento de uma elevação, com vento forte e em dia de instabilidade?

O rotor de sotavento vai emulsionar o ar quente que ali está aprisionado e sairão verdadeiros canhões. O problema é quando esses canhões encontram a o vento lá em cima(ou a rotorseira). Aqui no Pepino, o Cochrane está sempre soltando térmicas a sotavento do lestão de verão.
É o caminho das asas para o Cristo. Mas já ouve quem tivesse capotado e descido no nylon e todo ano tem "alguéns" de parapente arborizado por esse motivo.
Térmica de rotor é um risco. Assume quem sabe o que faz e correndo os riscos inerentes. O problema é que o primeiro vai, da certo, o segundo vai na onda, dá certo... e o terceiro se estabaca. E às vezes, só o primeiro sabe o que realmente está fazendo, onde está se metendo e os riscos que está correndo.

Na minha opinião, térmica de rotor é um risco muito grande para quem quer voar por diversão. Vou até mais longe. É coisa para profissional que ganha a vida em competição. Mesmo entre nossos melhores competidores(que são amadores) acho que o risco não compensa. Mas na prática, o que se vê em Valadares durante qualquer competição é todo mundo decolando e, não encontrando nada na Santa, dando a volta e indo garimpar no rotor.
Em campeonato, todo mundo toma injeção de brabeza.
Mas, como disse alguém, cada um é cada um e cada lugar é um lugar. Conhecer o lugar já é uma vantagem. Pelo menos, sabe-se o que esperar.