Tem havido, ultimamente, uma grande confusão nas provas de parapente quanto à interpretação da regra de ultrapassagem no lift. E não é a primeira vez. Durante a gestão do Vicenton no PRC ela também ocorreu e nós sinceramente, esperamos com este artigo, acabar definitivamente com todo esse rolo, porque ninguém mais está se entendendo. Recapitulemos o assunto. Alguns países simplesmente não consideram a possibilidade da manobra face ao risco que ela envolve e pronto: não pode (Gerald Delorme, "Volez en Parapente", França). Em outros, considera-se a manobra não recomendável e perigosa, mas admite-se que, tecnicamente, ela possa ser feita por dentro ("Paragliding, a Pilot's Training Manual" ,Wills Wing, USA). E existem aqueles que consideram válida a ultrapassagem por dentro e não lhe fazem nenhuma objeção ("Touching Cloud Base", Ian Currer, Inglaterra). A ABVL, através de artigo de seu Diretor Técnico, Geraldo Nobre, publicado no jornal AVLRJ JÁ de Junho de 93, deixou definido que ultrapassagem por dentro vigora no Brasil:
"5 - Um piloto ultrapassando outro em vôo de encosta na mesma altitude, o fará entre o ultrapassado e a encosta. Caso não haja espaço para que a manobra seja executada com toda a segurança, o piloto que se propõe a ultrapassar deverá efetuar uma curva de reversão, observando antes o tráfego existente."
Portanto, essa é a norma oficial em vigor que não pode ser contestada. Mas nós fomos além ao escrevermos o MAPIL. Consultamos tudo o que existia escrito sobre o assunto e verificamos as regras de cada país (infelizmente o idioma nos impediu de fazê-lo com relação à Alemanha, Áustria e congêneres). O ideal seria uma lei universal mas, infelizmente, ela não existe. O bom-senso e a experiência de aviação que temos nos ensinaram que no campo da segurança de vôo, de pouco adianta escrever um regulamento se ele não for integralmente cumprido ou, pelo menos, compreendido e, principalmente, conhecido de todos. Caso contrário, o que pode ocorrer nesses casos é que um dia acaba acontecendo um acidente causado por falta de flexibilidade, má interpretação ou desconhecimento da regra que se pretendia conter a verdade absoluta. Ou seja, acaba-se criando condições para um acidente quando o objetivo era prevení-lo. Como o Rio de Janeiro é um polo de convergência de voadores de todo o mundo, achamos por bem considerar todas as possibilidades. A ABVL parece que pensou do mesmo modo ao aceitar a ultrapassagem por dentro. Só que nós recomendamos que não se faça, mas alertamos quanto à possibilidade de alguém, sem estar errado, tentar nos ultrapassar, seja gringo, asa ou OVNI.
Essa é a maneira de se prevenir acidentes em aviação. Evitar o que envolve risco, mesmo que correto, mas estar ciente de que alguém poderá fazê-lo. Todas as possibilidades devem ser levadas em conta. É aquilo que poderíamos rotular de pilotagem defensiva.
O MAPIL diz textualmente:
"em lift, em princípio, não devem ser feitas ultrapassagens; o risco não compensa e de parapente isto é perfeitamente evitável, bastando-se igualar a velocidade com quem vai à frente; caso a ultrapassagem seja absolutamente inevitável (caso específico de asa e parapente) ela deve ser feita entre o ultrapassado e o relevo e este deve ser alertado para a manobra (esta é a única solução tecnicamente aceitável); a ultrapassagem por fora não deve ser considerada pois a curva do ultrapassado será sempre para fora, havendo o evidente risco de colisão; resumindo, o piloto de parapente jamais deve tentar uma ultrapassagem no lift (mesmo porque a velocidade relativa dificilmente será suficiente) mas deve ter em mente que pode acontecer dele ser ultrapassado".
Argumentar que não pode porque em tal lugar é assim ou assado não resolve nada. Só cria conflito de doutrina. Se o objetivo da prova inicial de piloto é aumentar o nível de segurança e prevenir acidentes, deve-se fazer pergunta que ajude o piloto a sedimentar a doutrina correta: não faça, mas esteja prevenido e alerta de que alguém poderá fazê-lo. Achamos que a posição do MAPIL é a melhor que se pode adotar. Ela é produto de estudo, pesquisa, bom-senso e experiência. No MAPIL não tem "chutometria", nem "achismo".
E essa não é a única pergunta da prova que tem gerado discussão. Existem outras que precisam ser repensadas. Por exemplo, é necessário que a prova possa ser respondida estudando o manual. Por quê o manual ? Bem, porque ele foi feito com esse objetivo. Relembrando esta coluna no AVLRJ JÁ de julho de 1992 :
"Já temos em cópia provisória, que pode ser xerocada, O MAPIL ( Manual do Piloto de Parapente). Dentre os inúmeros objetivos que tivemos ao elaborá-lo, citamos alguns :
- permitir ao piloto mais experiente, que aprendeu sozinho e na prática, entender um pouco melhor o porquê das coisas e, quem sabe, melhorar um pouco seu desempenho.
- permitir ao piloto mais novo, que foi bem formado, mas que se ressente de um documento em português que lhe sedimente o aprendizado, uma evolução mais harmoniosa.
O MAPIL, se chegar a ser impresso, será vendido a preço de custo. Em caso contrário, deixaremos um exemplar na AVLRJ para ser copiado por quem desejar."
Em junho de 1993, já com o manual acessível a todo mundo, sugerimos na coluna à AVLRJ a adoção de prova para piloto novo :
"6 - Uma sugestão à AVLRJ : prova para pilotos novos. Principalmente sobre regras de tráfego. Ninguém sabe nada. O sistema não resiste à mais elementar vistoria de segurança. E olha que que um dia o DAC comparece.
Nota da AVLRJ - Concordamos plenamente com a sugestão, o problema é : Quem se coloca à disposição para preparar, controlar e coordenar esse sistema? Os atuais 3 ou 4 abnegados que se dispõem a colaborar na administração não dão conta de todas as necessidades."
Imediatamente aceitamos o desafio e uma semana depois entregávamos 4 modelos de prova à AVLRJ. Ou seja, tínhamos o manual e as provas. Não havia mais por que não dar partida no sistema. Para evitar críticas de elitismo, elaboramos as provas para serem feitas com consulta do manual. Eliminamos, assim, a necessidade de fiscalização e de uma estrutura complicada. A prova ficava na Associação e podia ser feita a qualquer hora. Mas não havia moleza não. As questões foram elaboradas para derrubar quem se apresentasse sem estudar nada. Havia que estudar e conhecer o manual para ser bem-sucedido. Infelizmente, depois elas passaram a ser feitas sem consulta por decisão de quem pegou o bonde andando e não teve nada a ver com a sua elaboração. E, também não entendia nada de avaliação. Não tiveram nem a cortesia de nos consultar (chegaram ao detalhismo de colocar no Regulamento da ABVL que a prova é sem consulta, numa demonstração clara de preconceito com o que havia sido feito).
É do mais elementar raciocínio a evidência de que vem a ser mais fácil modificar do que criar. O cotidiano, no entanto, nos dá exemplo de como o exercíco do poder de modificar é tão delicado e exige tanta competência quanto o ato de criar. E este assunto é um exemplo claro disso. Alterar futilmente o ordenamento das coisas através de modificações e reformulações inócuas, só complica a rotina do dia-a-dia sem resolver nada. É aquela estória da Lei de Sevarcid "A principal causa de problemas entre os homens são as soluções" muito comum quando um administrador inexperiente assume um cargo com poder e a primeira coisa que faz é mudar tudo que estava em vigor sem saber distinguir entre o que precisa e o que não deve ser mudado.
E o pior é que depois largam tudo de pernas para ar e volta-se à estaca zero. Desorganizar uma rotina é elementar. Difícil é instituí-la. Se tivesse havido continuidade, nós hoje estaríamos com um sistema de prova perfeito, sem brigas e discussões.
As provas originais, ninguém mais sabe onde estão. Há quem nem saiba que elas existiram. Mas se quiserem eu dou uma dica : o Clube de Petrópolis as tem e as aplica. O Torres, lá em Niterói, também.
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Realizada no Pepino a segunda etapa do Campeonato Carioca. A primeira foi em Porciúncula e, por causa do vento, constou de uma única prova vencida pelo Waltinho. A segunda, que seria em Petrópolis, melou. Agora, foram duas provas. A etapa foi ganha pelo André Fleury(Xtra 28) de Brasília com o Toninho Malvadeza(Xtra 30) em segundo, Alex(Rainbow) em terceiro e Marcela (Xtra28) em quarto. O Waltinho(Alto Extreme), ficando em quinto está em primeiro na classificação geral. A última etapa será em Niterói.
No fim de semana seguinte, 1, 2 e 3 de dezembro, tivemos o III High Level International com 48 inscritos. As condições estiveram razoáveis em alguns momentos mas, no último dia, tivemos uma merreca total com o Robby Whitall boiando com o seu Edel especialíssimo no meio de um tremendo nevoeiro e ganhando por muito pouco do Bruno Menescal com o seu Xenon de série. O outro finalista, o John Pendry, também com um super-envenenado Alto Extreme arborizou na decolagem e ficou em terceiro. (aliás o inglês da Airwave não dá muita sorte por aqui. Uma vez em Valadares, acho que no pré-mundial, ele se acidentou de asa na decolagem e se ralou todo. No ano passado, de parapente aqui, ele entubou e, passando incólume pela Gávea, foi pousar na maior roubada lá para os lados de Joatinga). Em quarto lugar, repetindo o desempenho do ano passado, o Pedro Chaves(Xtra 30) à frente do campeão mundial de 94, Stephan Stiegler(que saiu da Pro Design e voou de Alto Extreme). Em sexto, o Luiz Pasquale(Energy). Em sétimo, Marcela( Xtra 28). Oitavo lugar para o Waltinho(Alto Extreme). Nono, Ruy Pinto(Supra 30) e décimo, Alfredão(Xenon).
Este ano, que foi o segundo de parapente, houve aperfeiçoamentos em relação ao ano passado, sendo o melhor deles a decolagem de ambos os competidores da frente da rampa. Como sugestão para 96, proporíamos começar a contar o tempo para o segundo piloto decolar a partir do juiz de rampa considerá-lo pronto. Tal como foi feito, com 1 minuto após o primeiro decolar para começar a penalidade, criou-se uma situação injusta. O primeiro tem 1 minuto após estar pronto e o segundo tem 1 minuto contados a partir da decolagem do primeiro, ou seja, o tempo já começa a contar sem ele estar pronto e mesmo que haja alguma zebra na hora de abrir todo o parapente (que às vezes se embolava quando o primeiro saía). Talvez mais 30 segundos de tolerância resolvam o assunto.
A nota destoante foi a nebulosa decisão de tirar do Sidney a vitória sobre o Robby Whitall na terceira prova. Depois de divulgado o resultado e esgotado o prazo regulamentar, apareceu um misterioso recurso alegando que o Sidney não tinha fotografado um dos pilões no setor FAI. Parece que teve Sherlock Holmes examinando com lupa o filme dele para achar um defeito que quebrasse o galho do Rob. Acontece que o regulamento dizia que recurso só poderia dar entrada até uma hora após a divulgação do resultado. Portanto, não podia ser aceito. Mas foi. E olha que dizem que o Rob nem sabia do recurso. Nós compreendemos que o High Level seja um empreendimento privado que envolve um grande investimento. E entendemos que se manipulem um pouco as coisas tal como escolha dos cabeças-de-chave, direcionamento no sorteio, excessiva tolerância para com alguns deslizes dos figurões convidados, etc. O próprio Rob, na bateria contra o Ruy Pinto, sendo o primeiro a decolar, entrou na posição de decolagem com o parapente ainda na bolsa, configurando uma flagrante transgressão ao regulamento e não aconteceu nada. Já com o Bruno foi diferente e ele perdeu 28 pontos por atraso. Tudo bem. Afinal o evento é mais uma festa do que outra coisa. Mas esse lance com o Sidney deixa a impressão de manipulação de resultado. E aí pega mal e fica feio. Afinal, tem gente que veio de longe, com despesas pessoais apreciáveis e não está interessado em festa, mas sim em competir. E esse povo vai começar a falar mal. E o evento é muito importante para o vôo-livre para se desgastar sem necessidade.
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Mudanças entre os APCO Flyers: Ricardo Franklin pegando o Supra do Montedônio. Este, passando a voar de Xtra 30. Maurício K, também. O Hilite II do Ricardo indo para o Rodrigo de Petrópolis. E o Supra do Maurício K, indo para o Eduardo de Araxá. Inahiá cedendo o Starlite dela para a Márcia, namorada do Montedônio.
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Ricardo Baby (Xtra 30) ganhando o campeonato gaúcho de 95 e recebendo de brinde, pelo terceiro lugar no brasileiro, uma Top Secura. E não é que o jornal da ABVL publicou que ele voa de Geneses! Não é não gente. Ele voa é de Xtra.
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Andaram levantando, no papo da cerveja, o assunto carga-alar x velocidade e nos pediram opinião. Aí vai o que publicamos no Informe do AVLRJ JÁ de junho de 94: "Cultura aerodinâmica: quando se varia a carga-alar se altera a velocidade, é óbvio. Quanto? Aproximadamente, em termos porcentuais, a metade da variação da carga, ou seja, aumentando-se a carga de 20%, varia-se a velocidade em 10% para mais. Faça bom uso quem voa com lastro".
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Ricardo Sperb, lá em PAlegre, fabricando um paramotor com refinado acabamento que dizem ser muito bom. Motor importado Solo 210. Preço na base de U$3500/4000. Tel: 051 2224385 c/Zilmar.
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Nos chega notícia de que um tremendo cara-de-pau lá de Valadares copiou o nosso MAPIL trocando a capa e o distribuindo como se fosse de sua autoria.
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O primeiro parapente APCO a chegar por estas bandas foi o nosso Hilite II 28 em novembro de 90. Até hoje ele está voando com o Macedo lá em S.J. dos Campos. Depois vieram o Hilite III, o Starlite, o Astra, o Supra, o Prima e, finalmente o Sabra, Spectra e Xtra. E estão todos por aí ainda perfeitos. Acontece que se o tecido é aparentemente indestrutível, o mesmo não acontece com as linhas. A recomendação é taxativa. Troca de A e B anualmente. Mas ninguém dá a mínima. É dificil de entender. Imaginem se o Toledo estivesse em vôo quando partiram 16 linhas do Hilite III dele(que foi do Carlinhos 24, do Fraga e do Ibsen e que muito já voou desde julho de 91 e nunca trocou nada). E olha que nós bem que alertamos para a necessidade, quando ele comprou. Existem Hilites iguais voando no Sul desde 92 sem nunca terem trocado uma linha. Starlite e Astra também. Seus proprietários devem ter recebido alguma infeliz orientação de que isso é bobagem. Fica de público o nosso aviso. Nos eximimos de qualquer responsabilidade. Só para atualizar, o Astra que foi do Toninho(julho de 92) também arrebentou linhas com o Heman lá em Valadares. Ainda bem que foi no chão. E só para saber, o Macedo trocou as linhas do Hilite recentemente (nós já havíamos trocado uma vez antes) e vai entrar com ele no sexto ano de uso..
CLASSIFICADOS
Xtra 28 - Amarelo/Azul. André Fleury. Tel 061 2420521.
Supra 33 - Pouquíssimo voado. É do Carlinhos 24 que não aparece para voar tem mais de ano. Jogo de linhas novas. As originais eram de competição. É para a turma peso pesado. Tel 2641990
Supra 30 - Branco especial. Foi do Paulo Pinto. Conservadíssimo. Tratado como vestido de noiva. Bom prêço. Zilmar Tel 051 2224385.
Sabra 27 e 30 - Teste da Revista Vol Livre francêsa: L/D 6.77. 12 A's.
Spectra 27 e 30 - Revista espanhola Vuelo Libre Parapente:"Spectracular". Revista Gleitschirm: segundo ano consecutivo com a melhor cotação no Testival de Intermediários. Único parapente da categoria a fechar uma prova no Brasileiro de 95(André Luiz). Desempenho e segurança.
Xtra 28, 30 e 32 - Performance, docilidade e segurança. Melhor equipe no Brasileiro de 95. 10, 20 e 40 lugares na segunda etapa do Carioca de 95. 40 e 70 lugar no High Level Internacional.
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Tenham todos um Feliz Natal e grande farofas em 1996 !!