PWC, Divagações...
Acho que qualquer voador imparcial e de bom-senso sabe que uma competição, usados parapentes de performance semelhante, se decide na pilotagem(nem tanto na técnica em si, se considerarmos pilotos equivalentes, mas sim no acerto das decisões tomadas ou seja, na tática e na estratégia individuais). E principalmente, na sorte.
Normalmente, o vencedor chegaria em primeiro, qualquer que fosse o equipamento que estivesse voando pois ele apenas decidiu certo, na hora certa e teve sorte.
Há algum tempo atrás ouvi um piloto comentar, com um ar meio de desprezo, que não se interessava pelo Bagheera da APCO porque ele era apenas DHV 2 e ele queria, pelo menos, um 2-3 (num caso típico de confundir segurança, que é o que a homologação representa, com desempenho, que não tem nada a ver com o nível de homologação de um parapente).
Terminado o PWC em Valadares, no entanto, constata-se uma surpresa !
As condições não foram as melhores e somente três provas puderam ser computadas(pelo que se diz, a última, vencida pelo Frank, foi anulada em razão de alguma trapalhada na abertura de faixa), sendo que apenas uma foi validada para cômputo do PWC.
Mas, qualquer que seja o critério de cômputo - considerando-se as três ou apenas a que valeu para a Copa - há que registrar que um parapente DHV 2, o Bagheera da APCO(talvez o único DHV 2 da competição), chegou em primeiro na Categoria Serial e chegou em 13° na classificação geral(num total de 123 inscritos).
Andrew Smith, com seu Bagheera vermelho, além de ter chegado na frente de todos os Classe Serial inscritos, ficou na frente dos seguintes Competitions/Protótipos:
31 Boomerangs
18 Kryptons
06 Milleniuns
03 Omega 5
02 Omega 4
01 Omega Proto
04 Mad Max
01 Sector TX
E perdeu para:
03 Omega 5
02 Sector TX
02 Krypton
02 Milleniun
01 Boomerang
01 Mad Max
01 RX 28
Andrew Smith só nao conseguiu derrotar nenhum RX 28 porque apenas um único foi inscrito e este chegou na frente.
Na Classe Serial estiveram no ar os seguintes velames:
04 Quarx
03 Proton
02 Bagheera
01 Response
01 Bonanza
01 Nova X75
01 Sigma 4
01 Top2L
01 Vello
01 Omega 4 25
01 MAC Trance
01 Krono
01 Saphir 2000
Infelizmente, muito poucos. Mas depois desses resultados, as conclusões sobre voar ou não voar paracas de altíssima performance em detrimento de outros mais mansos ficam a critério de cada um. Para o observador atento, todavia, parece óbvio que parapente não voa sozinho.
E não foi só o Bagheera que chegou na frente de um monte de Competition/Protótipo. Em 27° chegou um Response e em 31°, um Proton.
Apenas não se deve incorrer no erro de, uma vez decidido por um parapente homologado, achar que nível de homologação corresponde a nível de performance. Há que se ter em mente que o sonho de todo projetista é fazer um Fórmula 1 com a segurança de um kart.
Sobre Andrew Smith: embora ele não seja um competidor assíduo, só freqüentando o circuito PWC esporadicamente, ele voa há bastante tempo e em épocas passadas(há uns 10 anos) andou voando aqui no Rio com a gente.
Em 31 Dez 92 ele e Alex Louew(hoje piloto de testes da APCO) decolaram em Kuruman na África do Sul, ambos de APCO Astra, na tentativa de baterem o record mundial de distância livre(que, se não me engano, na época, era do Xavier Remond com 230 km voados na Namíbia).
Em vôo, depois de ultrapassarem a marca, decidiram que dividiriam o record e pousariam juntos. Ao se aproximarem da TMA de Fontainebleu(onde não poderiam entrar sob pena de não terem o record reconhecido pela FAI) já haviam decidido pelo pouso. Foi quando entrou uma tempestade de areia e os separou. Alex pousou 1,5 km a frente e se tornou recordista com 283 km até o inicio de 1999 quando o recorde foi batido na Austrália pelo mesmo Godfrey que quase derruba a marca de duplo do André Fleury um mês depois(parece que só não o fez porque o barógrafo pifou).
Cabe ainda esclarecer que um piloto esloveno, Marcik(não lembro o outro nome mas ele foi até entrevistado pela Airtime em um High Level), voou, há uns 3 anos, mais de 300 km em Kuruman também mas, por entrar em espaço aéreo proibido(TMA Fontainebleu) não teve a marca homologada pela FAI.