A Decolagem Mitsos
Atendendo a uma solicitação do nosso editor para escrever algo sobre decolagem invertida, é descrito aqui o método criado pelo instrutor australiano Mark Mitsos. Método que obteve o inquestionável aval de Bruce Goldsmith em artigo publicado na revista Cross Country tempos atrás e que foi divulgado no Brasil pelo nosso Doc Lucas Machado lá das terras das Gerais.
Segundo a respeitável opinião do Bruce, essa é a melhor técnica de decolagem invertida que ele conhece - embora ele admita e reconheça que a adaptação de um piloto, já condicionado a outro estilo, possa ser complicado.
Resumindo, se você ainda não sedimentou um estilo, sugere-se esse. Se já, o julgamento é seu quanto a mudar, não esquecendo que decolagem boa é aquela que fazemos bem e com segurança.
As principais vantagens dessa decolagem são:
- Melhor controle sobre o velame durante o inflar.
- Melhor controle e direcionamento do velame enquanto ele sobe.
- Melhor capacidade de controlar uma subida muito veloz em ventos fortes.
Iniciemos a descrição pelo posicionamento inicial em relação ao velame(tenhamos em mente que tudo o que for dito para um lado, é válido para o outro, cabendo ao piloto decidir para que lado se sente melhor para virar de frente e decolar)
Assuma a posição normal de decolagem alpina com os batoques nas mãos.
Gire para a esquerda, levantando o tirante direito e passando-o sobre sua cabeça.
Agora, de frente para o velame, você deverá estar com o tirante direito cruzando sobre o tirante esquerdo.
Passe sua mão esquerda por baixo de ambos os tirantes e pegue ambos os tirantes C próximo dos mosquetinhos(o batoque esquerdo já estará na sua mão esquerda). É melhor começar pela mão esquerda, pois isso facilitará o trabalho posterior, uma vez que ambos os tirantes ficarão apoiados no antebraço esquerdo.
Certifique-se que realmente está com os tirantes C que contém todas as linhas C - os parapentes mais antigos de quatro tirantes tinham a fileira C de linhas ligadas ao tirante C. No caso de alguns parapentes modernos, é possível que o tirante C só contenha uma única linha (a da ponta). Neste caso, há que pegar os C e D.
Passe sua mão direita sobre os tirantes e segure ambos os tirantes A o mais próximo dos mosquetinhos (o batoque direito já deverá estar seguro pela sua mão direita).
Agora você esta pronto para inflar. Mas, antes, convém esclarecer que os passos enunciados acima são os mais elementares possíveis. Há pilotos que têm preferência por só pegar os batoques no momento de pegar os tirantes, depois do giro para ficar de frente para o velame, e há pilotos que preferem engatar já de frente para o velame. Cada um é cada, sendo o arbítrio individual.
O Método
Primeiro faça uma boa “parede/muro” puxando alternadamente os tirantes A e C(claro que só será possível fazer isso se houver vento).
Tensione os tirantes(inclinando ou movendo o corpo para trás) de modo que eles fiquem esticados e, só então, puxe delicadamente os tirantes A de modo a inflar o velame e trazê-lo para cima.
Durante a subida, havendo espaço e se ele não subir centrado, desloque-se de lado para o centro da vela(normalmente, com vento fraco, é necessário manter pressão nos tirantes andando para trás, pois, caso contrário, a perda de pressão poderá resultar na queda do velame).
Os tirantes C também poderão ser utilizados para corrigir o velame se ele começar a tender para o lado. Mova-os para os lados para corrigir. Leve os tirantes C em direção ao lado baixo.
Se o vento for muito forte, o velame vai subir violentamente. Para impedir isto, combine um avanço na direção do velame e a puxada dos tirantes C para controlar a velocidade de subida.
Com o parapente na vertical sobre a cabeça, o seu controle pode ser feito tranqüilamente pelo uso dos freios(lembrando que os comandos estarão invertidos) ou, se você preferir, ainda atuando nos tirantes C conforme descrito no item anterior.
O passo seguinte é, olhando para o velame, girar pela direita para ficar de frente para a direção de decolagem e decolar - nada impede que se decole invertido e se faça o giro já voando, mas, para isso, há se evitar girar descontroladamente. Tente girar lentamente.
Macetes para aprender:
Treine em um terreno plano com vento moderado por um bom tempo antes de tentar decolar pra valer. Na verdade, várias sessões de inflar podem ser necessárias para realmente se dominar esta técnica.
No começo, as correções com os tirantes C parecem muito estranhas, pois levá-los para o lado mais baixo parece ir contra condicionamentos já existentes. Portanto, cuidado para não fazer a correção errada e enfiar o bordo-de-ataque no chão.
Um erro comum é tentar direcionar a vela na subida com os tirantes A. Isto não adianta nada. Sempre direcione o velame usando os tirantes C e andando de lado(e em diagonal para trás).
Um bom macete é fazer uma boa “parede/muro”, movendo a mão dos tirantes C para a esquerda e direita, o mais amplamente possível para cada lado. Isto ira puxar as ponta para baixo e ajudará a evitar que elas subam muito rápido durante a inflada. O uso dos tirantes C só funciona bem para corrigir pequenas tendências e, se o velame sair muito do centro, o melhor é colocá-lo de novo no chão e recomeçar.
É muito útil ser capaz de identificar com facilidade os tirantes, particularmente os tirantes A e C. A maioria dos fabricantes marca só os tirantes A, sendo aconselhável algum tipo de marca para os C.
Comentário final de Bruce Goldsmith:
Tenho visto muitos pilotos se acidentarem durante o inflar em dias de vento forte. Alguns se preocupam demais com o voar após decolar e entram em vôo de modo atabalhoado e arriscado.
Tenho visto tantas lesões por problemas de decolagem, como por acidentes durante o vôo, e o pior de tudo é que treinar técnica de decolagem é fácil e também agradável.
Então, por que as pessoas não o fazem ?
Eu recomendo a todos os pilotos que não estejam familiarizados com esta técnica que façam um esforço para que a treinem em local plano. Um dia ela poderá lhes ser útil e protegê-los de graves lesões.